
Perante a complexidade dos atuais desafios à sustentabilidade alimentar, trabalhamos em rede e em parceria para fortalecer sistemas agroalimentares locais e sustentáveis, que melhorem a eficiência no uso dos recursos, que assegurem a equidade e que promovam a maior resiliência das pessoas e das comunidades. Sistemas que permitem dietas culturalmente aceitáveis, economicamente justas e acessíveis, nutricionalmente adequadas, seguras e saudáveis, e que otimizam recursos naturais e humanos.
A fome e a má nutrição constituem, ainda, um grave problema e assumem hoje novas formas que afetam todos os contextos socio-económicos e geográficos. Cooperamos com países do Sul e do Norte Global, visando compreender estes novos desafios à segurança alimentar e nutricional e contribuir para a efetiva implementação dos quadros legais e institucionais do Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas e de políticas públicas alimentares que salvaguardem os princípios da soberania alimentar.
O resgate de conhecimentos tradicionais associados à produção de alimentos e à culinária popular e tradicional é crucial para a continuidade de práticas que têm construído e mantido paisagens alimentares únicas e que hoje são ainda mais valiosas para responder aos impactos das alterações climáticas sobre os sistemas alimentares.
Com a identificação, promoção e difusão de conhecimentos e práticas sobre preservação dinâmica e valorização de recursos naturais, tecnologias sociais e práticas eco-gastronómicas, procuramos informar a formulação e avaliação de políticas públicas e de estratégias para a construção de sistemas alimentares preocupados com as gerações vindouras.
Ao longo dos tempos, gerações de agricultores e outros produtores de alimentos desenvolveram sistemas agrários únicos hoje ameaçados e que urge preservar de forma dinâmica, promovendo os recursos endógenos e a agricultura familiar. São paisagens notáveis, ecossistemas naturais transformados que refletem a evolução cultural da humanidade.
As mulheres desempenham um papel basilar na manutenção da segurança alimentar das suas famílias e comunidades. No caso das mulheres rurais, em muitos países, elas são a força maioritária na produção de alimentos. Porém, persistem desigualdades no acesso a recursos e oportunidades e a direitos fundamentais, tanto nos países do norte como do sul global. A promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é um ponto central para construir sistemas alimentares justos e igualitários, sendo, por isso, um eixo transversal às diversas áreas temáticas do nosso trabalho.
Os agricultores e agricultoras familiares produzem cerca de 80% dos alimentos a nível global e ocupam a esmagadora maioria das terras cultivadas no mundo, tendo um papel crucial na manutenção de sistemas alimentares resilientes aos atuais desafios climáticos e à manutenção das economias locais. Porém, persiste a falta de reconhecimento e apoio a este subsetor. Em Portugal e na CPLP, a aCtuar tem assumido um papel ativo no apoio à mobilização coletiva dos agricultores e camponeses e para a construção do quadro institucional e legal para a Agricultura Familiar.